[Conteúdo exclusivo] Entrevista com o presidente da ABCDT

Você sabia que o Mais Saúde Crédito possui forte atuação no setor de nefrologia? Somos parceiros da ABCDT (Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante) e fizemos uma entrevista exclusiva com o Dr. Marcos Alexandre Vieira, presidente da ABCDT.

Dr. Marcos Alexandre Vieira, presidente da ABCDT

 

Confira o conteúdo na íntegra:

Quais são as perspectivas para o setor de nefrologia no Brasil?

Dr. Marcos: A nefrologia compreende diversas áreas de atuação, como tratamento conservador e de prevenção de doenças renais e terapia renal substitutiva (TRS), como hemodiálise, transplante renal e diálise peritoneal. A área de avaliação clínica e preventiva tende a crescer com parte da população sendo atendida pelo SUS e parte por meio de planos de saúde. O diagnóstico precoce, sem o paciente necessitar de diálise ou transplante são cuidados que promovem a saúde da população e diminuem os custos para os financiadores do processo. Este é um processo que leva um certo tempo para ser implantado, mas pode trazer benefícios longo prazo.

No setor de hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal existe a tendência de aumentar o número de pacientes assistidos no Brasil. Temos um número (por milhão da população) ainda pequeno de pacientes tratados quando nos comparamos aos Estados Unidos, Europa e alguns países da América do Sul . Hoje temos cerca de 120 mil pacientes em tratamento de hemodiálise. As maiores dificuldades estão relacionadas ao diagnóstico precoce e ao financiamento por parte do SUS. Apesar do montante de recurso ser significativo, ele é insuficiente com as tabelas defasadas para o tratamento dos pacientes em diálise.

Como o Ministério da Saúde enxerga a especialidade de nefrologia? Há investimentos adequados do governo?

Dr. Marcos: O Ministério da Saúde entende que o tratamento que é realizado pelas clínicas de diálise no Brasil é bom. Sabe que existem pacientes que estão internados aguardando vaga e que é necessário aumentar o teto para tratar mais pacientes e também aumentar o valor da diálise para dar sustentabilidade às clínicas, permitindo que elas tenham condições de investir no atendimento aos pacientes.

Quais são os principais desafios das clínicas nefrológicas no Brasil?

Dr. Marcos: Superar a crise relacionada a falta de financiamento adequado, possibilitando ampliar o atendimento dos pacientes. Ademais, expandir seus processos de qualidade com melhoria contínua nos cuidados do paciente renal.  

Para promovermos um tratamento diferenciado ao longo dos anos, são necessários mais recursos.

Qual é a principal dificuldade financeira para as clínicas de nefrologia?

Dr. Marcos: A principal dificuldade é a tabela SUS com valores defasados. Muitas clínicas sofrem com atrasos de pagamentos por parte de alguns municípios ou de alguns estados, que recebem o recurso do Ministério da Saúde e devem repassá-lo às clínicas de diálise que prestam serviço ao SUS. As clínicas acabam tendo grandes dificuldades com fluxo de caixa.

Além disso, apesar da maior parte das clínicas do país serem privadas, elas atendem mais de 70% dos pacientes pelo SUS, como se fossem entidades filantrópicas, mas não contam com a diferenciação quanto ao pagamento de impostos.

Como é a distribuição das clínicas nefrológicas? Há clínicas em muitas cidades ou existe uma concentração nas capitais?

Dr. Marcos: Hoje existem em torno de 750 clínicas no Brasil. A grande maioria se encontra nas regiões metropolitanas, mas existem clínicas distribuídas por todo o país.

Como uma clínica pode se diferenciar em relação às suas concorrentes?

Dr. Marcos: Programas de qualidade, corpo clínico com profissionais diferenciados, atendimento humanizado, excelência operacional, cuidado com a gestão de custos. Além disso, o posicionamento da clínica é muito importante neste processo. Por exemplo, em algumas cidades é possível ter clínicas com atendimento exclusivo para planos de saúde e privado.

Quais são as principais dificuldades dos pacientes com doenças renais?

Dr. Marcos: A doença renal crônica é uma epidemia mundial, silenciosa e muito séria. O paciente tem diversos problemas como cansaço, falta de apetite, emagrecimento, depressão, dores corporais e dificuldade com o sono. Além disso, uma vez diagnosticada a doença, o paciente pode perder sua capacidade efetiva de trabalho, sendo assim uma doença incapacitante para alguns. Problemas de acesso ao tratamento, como já descrito e problemas próprios da doença como a necessidade de confeccionar um acesso vascular para poder fazer a hemodiálise são desafios extremos que muitos pacientes vivem no nosso país.

Quais são as diferenças entre o atendimento público e o atendimento via planos privados?

Dr. Marcos: No Brasil ,as diferenças são as mesmas encontradas em diversos setores e a principal delas é  o acesso ao tratamento, a facilidade da realização de exames, internação e um tratamento diferenciado.

Quais são os planos da ABCDT para os próximos anos?

Dr. Marcos:  Manter os encontros com o Ministério da Saúde em busca de sustentabilidade para as clínicas de hemodiálise no Brasil e, consequentemente, ampliar e sempre melhorar o tratamento aos nossos pacientes. Planejamos também conseguir sensibilizar o governo para aumentar os valores da tabela de hemodiálise e diálise peritoneal e garantir o fim da coparticipação, para quem tem plano de saúde, quando necessitar de tratamento dialítico.

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